Liminar proíbe duas provas da festa do peão de Barretos

LIMINAR PROÍBE DUAS PROVAS DA
FESTA DO PEÃO DE BARRETOS

  A Notícia, 07/05/06 

  O Ministério Público do Estado (MPE) obteve liminar que proíbe a realização das provas do laço ao bezerro e laço em dupla na Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, a ser realizada este ano.
A decisão foi expedida pela 3a Vara Cível de Barretos, em atendimento à ação civil pública movida pelos promotores José Ademir Campos Borges e Fernando Célio de Brito Nogueira contra o clube Os Independentes e a Associação Nacional do Laço ao Bezerro. Segundo os promotores, o clube e a associação haviam se comprometido a realizar estudo científico, demonstrando como a modalidade pode ser praticada sem implicar maus-tratos aos animais.
“O único estudo apresentado foi procedido por zootecnista, mas o acordo previu perícia médica para avaliar os impactos de referidas provas nos animais”, afirmou Borges.
Acrescentou que o clube e a associação deveriam ter depositado R$ 17.558,00 para os custos da perícia, o que também não ocorreu. A Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos é evento tradicional e terá a 51 a edição este ano, de 17 a 27 de agosto.

Animais são desnecessários para educação médica nos EUA

Animais são desnecessários para educação médica nos EUA

Entrevista concedida à Thales Tréz em dezembro 1999
http://internichebrasil.org/literatura/jvlasak.htm

 

Você acredita que o uso de animais durante a educação médica é indispensável para o ensino de técnica cirúrgica? Porquê?

Dr. Vlasak: Obviamente que não. Nenhum cirurgião nos EUA aprendem cirurgia praticando em animais. Apenas uma universidade daqui requer animais de laboratório, e todas oferecem alternativas para a dissecção animal. Animais são tão diferentes em tantos aspectos, e a prática provinda deste tipo de experimento não são confiáveis quando praticamos a medicina humana. Mais importante, como podemos esperar que jovens cirurgiões desenvolvam sensibilidade, quando eles são ensinados a matar animais saudáveis.

 

Que tipo de alternativas você sugeriria para a substituição dos animais durante o treinamento cirúrgico?

Dr. Vlasak: Como citado anteriormente, animais não são utilizados para se aprender técnicas cirúrgicas nos EUA. Os animais ainda são usados em pesquisa básica, não porque eles são um bom meio para se aprender mais, mas porque tal prática é tão estabelecida, e há tanto dinheiro sendo gerado pela indústria animal-biomédica.

 

Que tipos de prejuízos (éticos, psicológicos, etc.) o uso de animais na educação médica pode causar ao estudante de medicina?

Dr. Vlasak: Como um jovem médico pode justificar a matança de um ser saudável para se aprender o que pode ser facilmente aprendido, em um nível muito mais real, através do uso de simulações de computadores e ambientes clínicos? Muitos estudantes de medicina nos EUA tem tido uma posição muito forte contra a matança de animais nas faculdades, e tem sido os grandes responsáveis pela substituição dos animais de laboratório. Mesmo em faculdades de veterinária os estudantes estão substituindo o animal de laboratório por experiências clínicas e outros métodos de ensino.

 

Cirurgiões daqui dizem que o estudante deve estar em contato com tecidos vivos, e que sem isso é impossível aprender a técnica cirúrgica. Alguns desconhecem universidades pelo mundo que não utilizem tecidos vivos para o ensino de cirurgia. É verdade?

Dr. Vlasak: Nos EUA, a cirurgia é ensinada por cirurgiões mais experientes, conduzindo jovens residentes através de procedimentos cada vez mais complicados na sala de operações humanas. O tecido vivo é usado, como também se aprende corretamente sobre fisiologia e anatomia humana. Gostaria de repetir que nenhum cirurgião nos EUA aprendem cirurgia em animais não-humanos.

 

E alguns deles também afirmam que mesmo que não se exija o uso de animais durante o período de graduação, certamente utilizarão após a graduação. É verdade?

Dr. Vlasak: Como expliquei acima, o treinamento em animais na graduação e pós graduação não é requerida, mas usualmente existe uma opção para aqueles que desejam realizá-la.  Mesmo no treinamento cirúrgico, é uma opção estritamente de pesquisa orientada, e não é obrigatória. Apenas nas escolas de medicina das forças armadas existe a exigência de dissecção no currículo. Enfim, os estudantes não são exigidos na prática de dissecção em estágios mais avançados.

 

É possível ser um bom cirurgião sem ter aprendido com animais?

Dr. Vlasak: Sou um bom cirurgião, e não aprendi em animais.

 

Você pode explicar mais sobre o período de residência (por exemplo), onde os estudantes estão em contato com pacientes humanos e aprendem métodos cirúrgicos em seres humanos?

Dr. Vlasak: Temos um período de 5 a 7 anos de residência em cirurgia nos EUA. Começando no primeiro ano, os residentes são conduzidos através de operações simples, como reparos de hérnia e biópsias de mama, com um cirurgião mais experiente supervisionando atentamente. Desta forma se ensina as técnicas de tecido corretamente, e é combinado com o ensino didático da sala de operação e enfermarias. A medida em que o período de residência avança, o residente vai tendo contato com operações cada vez mais complexas, sempre sob supervisão de um cirurgião experiente.

 

Realidade virtual e outras tecnologias não dão ao estudante informações importantes sobre sinais vitais, hemorragias, tato. É verdade?

Dr. Vlasak: A realidade virtual está ficando cada vez melhor com o passar do tempo. Especialmente na área de cirurgia laparoscópica, alguns dos simuladores são recursos muito bons no ensino de destreza e coordenação olho-mão.

 

Algum comentário adicional?

Dr. Vlasak: Os animais não somente são desnecessários e raramente usados na educação médica nos EUA, como a ausência da matança de indivíduos saudáveis propicia o ensino da compaixão e preocupação nos jovens médicos. Eu estive viajando pela Europa oriental, onde as técnicas não-animais são adotadas com entusiasmo, e novas simulações de computadores foram apreciadas. O uso de animais não-humanos para ensinar medicina humana é um conceito do passado, e está sendo substituído por alternativas mais eficazes e humanas.

 

* Dr. Jerry W. Vlasak é um dos médicos cirurgiões mais respeitados nos Estados Unidos

Trauma Surgeon, San Bernardino County Medical Center; Trauma Surgeon, Loma Linda University Medical Center; Level I Trauma Center- All aspects of Trauma/ Critical Care; Associate Director of Surgery, Waterbury Hospital Health Center; Full-time involvement with resident education; Director, Surgical Intensive Care Unit; Associate Director, Trauma Services; Private Practice, Santa Barbara County, California; Founded and developed Central Coast Surgical Group.

Você já comeu a Amazônia hoje?

Você já comeu a Amazônia hoje?

João Meirelles Filho*
http://www.jornaldomeioambiente.com.br/JMA-index_noticias.asp?id=9762

Eu não aceito que, em meu nome, o governo federal brasileiro conceda autorização para o desmatamento da Amazônia, e você, aceita? Eu não autorizo que o dinheiro público, de bancos oficiais, seja empregado para a criação de bois na Amazônia, e você, autoriza?

Você e eu somos bois-de-presépio ou cidadãos do planeta? Você acredita que a sua forma de viver, alimentar-se, comportar-se, construir a sua casa, presentear seus amigos, visitar os lugares ou votar possua relação direta com a Amazônia?

Caso afirmativo, você aceitaria avaliar se está comendo ou não a Amazônia? A cada dia as pesquisas científicas e os relatórios ambientalistas são mais taxativos: não podemos nos dar ao luxo de esperar que as pessoas se convençam sobre a gravidade da situação da Amazônia. Será tarde demais quando fazendeiros, garimpeiros, madeireiros, funcionários públicos, representantes do poder público e a população em geral, despertarem para o fato. Teremos perdido a maior parte da Amazônia. Os fatos:

Em cinco séculos 95% das populações indígenas desapareceram. Nações inteiras foram extintas pelas doenças, pela escravidão e pelas armas trazidas pelos europeus. As Nações que sobreviveram, cerca de 180, com mais de 200 mil indivíduos (1% da população da região), contam com poucos aliados entre os funcionários públicos e organizações da sociedade civil para se defenderem de garimpeiros, caçadores, ladrões de madeira e grileiros.

Em termos sociais a Amazônia é uma das regiões de maiores desigualdades econômicas e sociais do planeta. Esta é, de longe, a mais violenta do país, respondendo pela maioria dos casos de morte em conflitos pela terra, número de trabalhadores escravizados em fazendas de pecuária e pela grande insegurança das áreas urbanas. Os 23 milhões de habitantes estão longe de se beneficiar da biodiversidade, da etnodiversidade, de suas riquezas culturais e da produção de madeira e minerais. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, da ONU) da região equivale ao dos paises mais pobres do planeta.

Em termos ambientais oferecemos, ano apos ano, o maior espetáculo de pirotécnica ao queimarmos mais florestas para virarem pasto. O desmatamento e as queimadas da Amazônia tornam o Brasil um dos principais paises emissores de gases que contribuem para o efeito estufa. As mudanças climáticas são irreversíveis.

Em termos de biodiversidade, em apenas 4% da superfície terrestre a Amazônia continental deve abrigar mais de 1/5 da biodiversidade do planeta. Nas áreas mais comprometidas, como no entorno de Belém, por exemplo, ¼ das aves estão ameaçadas de extinção. Uma vez extinta uma espécie, esta extinção é para sempre.

Em termos ambientais, de 1.500 a 1.964 desmatamos menos de 1% da Amazônia. Nos últimos 40 anos desmatamos cerca de 16% da região. Uma área equivalente a duas vezes a Alemanha (ou três estados de São Paulo) em pasto. Esta área de 750 mil km² é duas vezes maior que a área agrícola do país. Pior, 1/4 desta área encontra-se abandonada porque o objetivo de derrubar o mato foi o de tomar a posse da terra, para dizer: aqui tem dono.

No momento estamos perdendo cerca de 24 mil km² de cobertura nativa ao ano. Isto significa que a cada ano estamos desmatando uma área equivalente a 2/3 da Bélgica (ou do estado de Sergipe). A cada ano perdemos cerca de 1% do que resta da floresta amazônica. Se nada for feito teremos perdido mais da metade da floresta nos próximos 30 anos. Eu não autorizei. Você autorizou?

Estamos apenas medindo a febre e não combatendo as causas da doença. A febre em um doente alerta que algo vai errado, é apenas um índice. Há grande comoção quando os índices de desmatamento são expostos ao vexame público, e pouco interesse em discutir as verdadeiras razões de seu crescimento.

São os grandes fazendeiros! – apontam uns! É a expansão da soja! – sugerem outros. É a abertura de estradas, a ineficácia e ausência do poder público, o aumento das fazendas, os madeireiros, os garimpos, e assim por diante… Será que não continuamos na periferia do problema? Será que estamos apontando apenas as conseqüências de atos que praticamos em nosso dia-a-dia, de forma relapsa, impensada e, digamos, irresponsável?

Os responsáveis somos nós!
Será que estamos fazendo as perguntas certas? Quem é responsável pela maior parte dos desmatamentos? Não será difícil responder: as propriedades rurais dedicadas à pecuária. Trata-se penas das grandes fazendas? Não, as pequenas e médias têm na pecuária bovina e bubalina (de búfalos) sua principal atividade.

E por que expande a pecuária na Amazônia? Certamente um fazendeiro tradicional irá comentar: “porque é mais barato produzir carne na região, a terra tem pouco valor, a mão de obra é barata, há pouca fiscalização dos órgãos ambientais, trabalhistas e da receita federal”.

Esta, no entanto é uma resposta insatisfatória. Afinal, esta carne vai para algum lugar. Alguém consome este produto. Os dados são claros: mais de noventa por cento da carne produzida na Amazônia é consumida no próprio Brasil, a maior parte nas regiões de maior poder econômico – Sul e Sudeste. O crescimento do consumo de carne bovina é significativo. A cada dia mais e mais pessoas querem a sua picanhazinha e a sua maminha.

Em quarenta anos, de 1964 a 2004, o rebanho bovino da Amazônia saltou de 1,5 para 60 milhões de cabeças. Parte deste rebanho é clandestina. Este lote de animais prontos para morrer para saciar o desejo de comer carne bovina representa 1/3 do rebanho brasileiro. Três cabeças de boi para cada habitante da Amazônia. No Brasil já há mais bois que gente!

A pecuária é a principal atividade econômica rural da Amazônia. Não se trata apenas de grandes e médias propriedades (estes são 25 mil famílias com áreas acima de 500 hectares). A maior parte dos 400 mil pequenos proprietários rurais da Amazônia tem na pecuária a sua principal fonte de renda (seja pelo fracasso das demais atividades econômicas, seja pela completa incompreensão do que seja a natureza amazônica ou impaciência com a Natureza, preferindo carbonizá-la a conduzir a dança da sustentabilidade).

Lembremos que estamos em um país onde a maioria vive em grande carestia. Se não fosse devido o baixo poder aquisitivo do brasileiro o consumo de carne seria pelo menos o dobro. O brasileiro come, em média, um bife pequeno por dia (100 gramas) – 36 kg de carne/ano.

Um boi de 16 arrobas tem em média 240 kg de carne. Se você comer carne bovina durante sua vida (72 anos – a idade média do brasileiro), isto significa um boi a cada 6,6 anos, 11 bois inteiros durante a vida – 2,6 toneladas de carne! Destes 11 bois, pelo menos 4 terão vindo da Amazônia, ou seja, a cada três dias o brasileiro come um bife da Amazônia.

Sabe-se que este é um índice médio. O consumidor da classe alta e média chegam a comer mais de 3 vezes esta cifra – 108 kg/carne bovina/ano. Ou seja, um caminhão com 32 bois, mais de 7,5 toneladas de carne em sua vida!

Quanto custa para a Humanidade este bife?
A insistência do modelo mundial de ocupação do solo, que privilegia a pecuária é o principal responsável pela fome e desigualdade na área rural do Planeta. A quantidade de água, solo e recursos utilizados para produzir um quilo de carne seria suficiente para alimentar pelo menos 50 pessoas.

A expansão da pecuária é responsável por pelo menos 2/3 dos desmatamentos das florestas tropicais do planeta. Estas já ocuparam 16% do planeta. Hoje ocupam menos de 9%. Da II Guerra Mundial até hoje perdemos mais de 3% das florestas tropicais do planeta. Por quê? Principalmente porque há gente querendo comer carne bovina.

A pergunta que fazem os fazendeiros é: quanto o bife custa no seu prato? A pergunta que deve inquietar o cidadão deste planeta é: “quanto custa de esforço à Humanidade para você ter o luxo de um bife em seu prato?”

A pecuária é o pior empregador que existe no planeta. A miséria brasileira no campo pode ser resumida a uma frase: a pecuária bovina expulsou o homem do campo. Numa grande fazenda na Amazônia, emprega-se diretamente uma pessoa a cada setecentos bois, que ocupa uma área de 1 mil hectares. A mesma área com agricultura familiar empregaria pelo menos 100 vezes mais, com agro-floresta em permacultura empregaria 250 pessoas!

A pecuária gera pouca renda e esta é praticamente transferida para fora das regiões produtoras. A ilha do Marajó, uma área do tamanho da Suíça, após duzentos anos de pecuária (bovina e bubalina), tornou-se uma das áreas mais pobres da Amazônia – e do planeta – com índices de desenvolvimento humano (IDH) equivalentes aos de Bangladesh. Em Chaves, no Marajó, um quarto das crianças está fora da escola e 77% das crianças não tem luz em suas escolas!

A pecuária é altamente concentradora de renda. Inexiste uma única região do Brasil onde a pecuária promoveu o desenvolvimento com justiça social. Pior, a maior parte dos fazendeiros perde dinheiro com a atividade. Como não sabem fazer contas não percebem que estão ficando mais pobres a cada dia e que pouco poderão oferecer a seus filhos e netos. Os estudos científicos do Imazon apontam que a pecuária é tão ineficiente que, em média, não oferece uma renda superior à da caderneta de poupança. Ou seja, seria mais negocio ao pecuarista vender tudo o que tem e viver do dinheiro aplicado.

Por quê, então, optamos pelo boi? Porque não pensamos, somos tão bovinos quanto a ilustre e inocente criatura. Não medimos conseqüências. Pautamo-nos pelo passado. Não questionamos se o que nossos pais e avós fizeram seria o melhor para nós, para nossas famílias e para a Humanidade.

Nem sempre a Humanidade fez escolhas certas. Em sua maioria são escolhas cômodas. Não medimos as conseqüências. No entanto, estamos diante de uma encruzilhada – ou transformamos a Amazônia em um imenso pasto ou iremos entregar às futuras gerações a mais diversa e bela floresta tropical do planeta. A escolha é sua. E de mais ninguém.

Quinhentos anos de atraso

Não há por que se assustar com esta responsabilidade. O Brasil é o campeão da falta de percepção ambiental e social. A pecuária bovina é sinônimo da história da ocupação do Brasil. Desde que o primeiro europeu colocou seus pés no Brasil, foi seguido pela pata do boi. O vírus da gripe, o boi, a bíblia e a arma de fogo modificaram este continente – difícil saber o que causou mais danos.

O boi é uma fonte de proteínas de baixíssima eficiência energética (converte em carne meros 7% do que come). Com sua pata compacta o solo, causa erosão e destrói as micro-bacias e o seu consumo traz sérias conseqüências à saúde.

O boi é um trator funcionando 24 horas. E por quê? Para saciar a vontade de comer picadinho, hambúrguer e estrogonofe. Para transformar o Brasil no maior pasto do planeta foi preciso “abrir” espaço para este animal. “Mato” (leia-se: floresta tropical com grande diversidade biológica) não alimenta boi. As florestas têm que ceder lugar ao pasto. Poderíamos resumir a história do desaparecimento da Natureza do Brasil em uma única lápide: “virou bife”. Em 500 anos reduzimos os 1,5 milhões de hectares da Mata Atlântica (floresta tropical atlântica) a meros 7% de sua área original, a Caatinga para menos de 20% e o Cerrado para menos de 25% de sua área. Pior: a degradação continua, de maneira acelerada.

Insistimos em ocupar novos pastos na Amazônia ao invés de melhorar a produtividade do que já se transformou em pasto no Sul, Centro-Oeste e Sudeste. O Brasil continua um país irresponsável em termos de produtividade na pecuária. Dos 850 milhões de hectares do Brasil, há no país cerca de 250 milhões de hectares de pasto(cerca de 30% do pais). Deste total, cerca de 30% está na Amazônia – 75 milhões de hectares. A produtividade na Amazônia é pífia – 0,7 cabeças/hectare – símbolo da incompetência em compreender e tratar o meio físico amazônico. Vamos lembrar que o Brasil todo possui cerca de 50 milhões de hectares em área plantada!

Neste ritmo, em duas décadas teremos mais bois na Amazônia do que a totalidade do rebanho brasileiro atual (170 milhões de cabeças). No Brasil já há mais bois que brasileiros.

Resumo de nossa história: o Brasil virou pasto e nossa grande contribuição à humanidade foi substituir a maior floresta tropical do planeta em churrasquinho. Carne com gosto de fumaça, violência e extinção de espécies. Apesar da ditadura militar ter se desmilinguido nos anos 1980 a Amazônia continua sob o domínio do medo, da lei do mais forte, do coronelismo, da grilagem de terra, da corrupção e do incentivo fiscal a quem dele não necessita. Quem manda é o revólver e a motoserra. Um boi vale mais que uma vida.

Por quê?
Porquê insistimos em incorrer nos mesmos erros que nossos antepassados europeus, para quem a “pata de vaca” era sinônimo de progresso. O boi é celestial. O mato é o demônio. O arame farpado é progresso. A floresta calcinada é progresso. O mugido do boi é progresso. O pasto, que pode ser medido e contabilizado é celestial.

O país continua a tratar a Amazônia como uma área ainda não conquistada, um imenso estoque de terra pronto para virar pasto. E mais, a Amazônia como fonte inesgotável de madeira, peixe, ouro, alumínio, energia elétrica etc.

As políticas públicas e a maior parte das empresas despreza os 10.000 anos de convivência com a floresta tropical. Deste aprendizado passo a passo, de descoberta do ser e viver. O Brasil trata as comunidades indígenas e a caboclas como culturas “primitivas”, “bárbaras” e “demoníacas”. O mato, o espaço do desconhecido, do que não pode ser controlado, é o antro do medo, da escuridão. É no mato que estão os piores horrores.

Não haverá aqui uma inversão de valores? Estamos prontos a reconhecer este erro? Ou continuaremos a nos ufanar que temos o maior rebanho comercial do planeta? Que nossos bois são “bois verdes”, comem só capim?

Vamos continuar a nos enganar? Seremos honestos com as futuras gerações? Quem está disposto a pensar um novo Brasil? Seremos os bois-de-presépio da vez, que sentam-se na lanchonete e devoram silenciosos seus hambúrgueres?

O desafio
Cabe a nós, e tão somente a nós todos, sermos diligentes e eficientes em propor um novo pacto civilizatório para a Amazônia, capaz de diminuir a pressão sobre as populações nativas e o meio ambiente. Seus 23 milhões de habitantes, com amplas necessidades de consumo, inclusive de proteínas, demandam respostas rápidas. Afinal, come-se a Amazônia três vezes ao dia, no café-da-manhã, no almoço e no jantar.

Deste total há 7 milhões de habitantes na zona rural, dos quais cerca de 2 milhões vivem em trinta mil comunidades tradicionais, em sua maioria com acesso precário a serviços públicos de educação, saúde, água, esgotos, energia, segurança e assistência técnica agrícola.

Não estará na hora de nos transformarmos de destruidores em enriquecedores da natureza. Será que não bastam os 75 milhões de hectares já desmatados da Amazônia (área superior a toda área agrícola do país) para revolucionarmos nossa compreensão de floresta tropical produtiva?

Não será a hora de formarmos agricultores da sustentabilidade (permacultores), guarda-parques, guias de ecoturismo, artesãos, madeireiros cuidadosos, cientistas e estudiosos do saber local?

E nós, continuaremos a ser meros telespectadores? Corrigindo, na verdade, somos mais que telespectadores, somos os que financiam este processo, silenciosamente, nas gôndolas de supermercado, nos espetinhos, nos pastéis de carne…Mais do que rebanhos de consumidores, de cabeça baixa, nossa ignorância alimenta a injustiça e a destruição. Aceitamos, silenciosamente, que as coisas continuem como estão.

Medidas praticas para o dia de hoje
Você pode mudar a Amazônia a partir de agora. A sua decisão de consumo afetará profundamente o que se produz na Amazônia.

Ao nível individual:
Se você come carne, pergunte a quem lhe vende, de onde vem a carne para saber se você está comendo ou não a Amazónia? Se você mora fora do Brasil – pergunte se é mesmo imprescindível vir carne da Amazônia e das outras florestas tropicais (muitas vezes você come a Amazônia na forma de soja, que ao invés de alimentar pessoas é dado a porcos, galinhas e vacas)?

Que medidas o poder público pode tomar agora por meio de decreto: aumentar a taxa do imposto territorial rural das áreas de pastagens, modificar a fórmula de cálculo do imposto de renda dos fazendeiros, fiscalizar com seriedade as questões ambientais, trabalhistas e tributárias da cadeia produtiva da carne na Amazônia.

Ao nível coletivo nacional:
Não seria oportuno discutir uma moratória de alguns anos, digamos, quatro anos, onde nenhuma autorização de desmatamento fosse concedida. Não seria este um tipo de compromisso que um novo presidente da República deveria assumir? Não seria oportuno organizar um amplo programa de reeducação para fazendeiros e suas famílias, permitindo que fossem capacitados em técnicas sustentáveis de convivência com a floresta? Afinal, eles são pessoas como nós, que só querem ter uma vida digna para si e seus familiares. A pecuária é apenas o meio de vida que se lhes coube e que
sabem trabalhar.

Ao nível coletivo internacional:
Não está na hora de efetivamente discutir a relação entre a destruição das florestas tropicais do globo e a pecuária e o consumo de madeiras tropicais?

Teremos que olhar a Amazônia de outra forma, não através dos olhos bovinos que esmagaram o futuro nos últimos cinco séculos. É preciso que aceitemos que não somos bois-de-presépio nem bois-de-piranha. Somos seres capazes de decidir o que queremos. E queremos justiça social, ambiente saudável, emprego e renda com equidade. Queremos entregar às futuras gerações a Amazônia com a etnodiversidade, a biodiversidade e a diversidade cultural melhor ou igual àquela que recebemos.


* João Meirelles vive em Belém, Pará, na região do estuário do rio Amazonas. Trabalha numa entidade sem fins lucrativos – o Instituto Peabirue se dedica ao fortalecimento institucional de organizações sem fins lucrativos da Amazônia.
É autor do Livro de Ouro da Amazônia (3ª edição, Ediouro, Rio de Janeiro 2.004).
Décima geração de pecuaristas que abriram as fronteiras pioneiras do Brasil deixou de comer carne bovina em 2.000
.

Canadá recusa 13 milhões de euros e continua com a matança de focas

Canadá recusa 13 milhões de euros e continua com a matança de focas

   Uma empresária norte-americana ofereceu ontem 13 milhões de euros aos caçadores de focas do Canadá para que cessem imediatamente o “massacre” destes mamíferos marinhos na Terra Nova, mas a proposta foi imediatamente rejeitada pelo governo canadense.

   Cathy Kangas, presidente da empresa americana de cosméticos PRAI Beauty , tornou pública uma carta endereçada ao primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, na qual explicava a sua intenção. “O vosso Governo declarou que a receita de 13 milhões de euros, gerada pelo massacre das focas, é vital para a comunidade de pescadores de Terra Nova”, escreveu Cathy Kangas. “Se interromperem imediatamente a caça este ano, ofereço-lhes os 13 milhões, para distribuírem como melhor entenderem”, conclui a empresária. Sem sucesso: “A resposta é breve: não”, declarou o porta-voz do ministério das Pescas, Steven Outhouse, questionado pela agência France-Press. “A oferta não nos interessa e preferimos que invista seu dinheiro numa causa mais nobre.”

O Canadá autorizou, este ano, o abate de 325 mil animais a tiro e dez mil a golpes de espigão, preso a um pau – nas zonas em que a prática é considerada “tradicional”. A condenação do “genocídio” foi imediata, pelos ecologistas e associações de defesa dos animais mas também pelo Congresso dos Estados Unidos – país que adotou um rigoroso boicote a certos produtos canadenses – e pelos governos de várias nações européias. Figuras públicas como o ex-Beatle Paul McCartney e a atriz francesa Brigitte Bardot também denunciaram a crueldade. Em vão: o Canadá fala em “campanha internacional de propaganda” e mostra-se irredutível, garantindo a sustentabilidade ambiental da caça.

Foram mortas, até agora, 20 mil focas, mas o momento forte da caça só começou ontem, na superfície gelada ao largo de Terra Nova. Cathy Kangas ofereceu também a sua colaboração ao Governo canadense para o lançamento de um programa de ecoturismo que pudesse substituir a caça às focas na Terra Nova.

Coleira anti-latido pode ajudar na convivência do cão com sua vizinhança!

COLEIRA ANTI-LATIDO PODE AJUDAR NA CONVIVÊNCIA DO CÃO COM SUA VIZINHANÇA   A coleira anti-latido é o modo mais prático e seguro para acabar com o latido excessivo que, muitas vezes acarreta em sérios problemas tanto para os animais, como para seus donos.
A coleira utiliza o que chamam de correção sonora inofensiva, que é acionada com o próprio latido. Ela condiciona o cão a não latir nas horas indesejadas, tornando possível a boa convivência do cão com o dono e a vizinhança.
Funcionamento
A coleira capta o som do latido do cão e emite um sinal sonoro numa freqüência especifica de adestramento, que o faz parar de latir. O sinal sonoro é entendido pelo cão como um “não”, assim, após 4 ou 5 dias, o cachorro já associa a razão da correção sonora a seu latido, condicionando-se a não latir enquanto estiver com a coleira.

Segundo os especialistas, a coleira anti-latido não causa nenhum dano à saúde do seu animal.

Porto Alegre institui Programa de Proteção aos animais domésticos

Porto Alegre institui Programa de Proteção aos animais domésticos

O prefeito de Porto Alegre (RS), José Fogaça, sancionou no último dia 30 de janeiro, a lei de autoria do vereador Sebastião Melo, que institui o Programa de Proteção aos animais domésticos.

 

A Lei prevê, dentre muitas diretrizes, o estímulo à posse responsável, o controle populacional de animais domésticos, e a regularização do trabalho do Centro de Controle de Zoonoses, prevendo a eutanásia apenas em casos terminais comprovados.

 

Clique aqui e conheça na íntegra a Lei 9.945/2006

Cozinheiro é preso após decepar cauda de cavalo

Cozinheiro é preso após decepar cauda de cavalo

 

RIO DE JANEIRO – A criatividade dos foliões para ter uma fantasia criativa pode virar brincadeira de mau gosto e crueldade. Disposto a fazer bonito no carnaval, o cozinheiro de um hotel-fazenda em Friburgo, Eduardo Henrique Pereira da Silva, de 52 anos, mais conhecido como Malu, decepou a cauda de um cavalo de raça, avaliado em cerca de R$ 50 mil, para fazer uma peruca.

Denunciado por colegas que ouviram seus planos para o carnaval, Malu chegou a negar o crime. Mas o adereço foi encontrado na cabeceira de sua cama. Ele foi preso e autuado na 151º DP (Nova Friburgo) por maus-tratos contra animais e pode pegar até um ano de cadeia.

Como a pena para o crime é branda, ele responderá em liberdade. Mas os donos do hotel, indignados com a crueldade contra o cavalo, decidiram demitir o cozinheiro por justa causa.

A história foi revelada pelo jornal O Dia, que trouxe a foto do animal sem rabo e do cozinheiro que, diante dos policiais, chegou a demonstrar como lhe cairiam bem os apliques feitos com os pelos do rabo do animal.

Segundo o hotel-fazenda, o cavalo campolina mudou de comportamento e está definhando. Sem os pelos garbosos, o cavalo passou a ficar amuado e parou de comer.

O veterinário André Maia, do Zoológico de Niterói, explica que a cauda do cavalo tem uma função biológica.  “Não chegou a ser uma mutilação, porque o corte não atingiu as vértebras e os pelos vão crescer de novo. Mas é uma crueldade, uma vez que o rabo afasta os mosquitos e defende o animal de parasitas”, explicou ao Último Segundo.

O veterinário disse que já tinha ouvido casos de mutilação do rabo de vaca, mas nunca nada parecido envolvendo um cavalo. “Nos casos que fiquei sabendo, a pessoa corta o rabo para comer, porque quer continuar com a vaca para tirar leite”, diz.

Além de considerar a brincadeira de péssimo gosto, o veterinário adverte que usar a cauda de cavalo para se fazer peruca é uma péssima idéia, uma vez que o pelo não se assemelha em nada com o humano. “O pelo do cavalo é 30 vezes mais grosso, além de ser duro e rígido”, diz.

Maia afirma que a perda da cauda pode levar o animal a uma situação de stress. Mas acredita que a falta de apetite do animal possa estar relacionada a alguma outra doença e não só à perda do pelo da cauda.

Fonte: Último Segundo – Adaptado por Adriano Oliveira

Meatrix

Meatrix

Assista ao vídeo disponível no link abaixo e saiba um pouco mais sobre Educação Ambiental e Saúde.


http://www.themeatrix.com/portuguese/

Pesquisa Aponta Benefícios no Convívio com Cães

PESQUISA APONTA BENEFÍCIOS NO CONVÍVIO COM CÃES

Ter cachorro faz bem para a saúde dos idosos. A máxima é da Associação Americana de Cardiologia (AHA – American Heart Association).
Num estudo concluído este ano com cardíacos internados na UTI, observou-se que 94% das pessoas que tinham um animal sobreviveram um ano depois da internação. Entre os que não tinham um bicho de estimação, a sobrevida foi menor: apenas 71%. “Os benefícios comprovados de ter um animal de estimação são menor pressão arterial e menores taxas de triglicerídeos e colesterol, que são fatores de risco para o coração”, explica a cirurgiã Sunao Nirhio. “Além disso, a gente nota uma melhora nos distúrbios mentais do paciente em relação a depressão e demência.”
De acordo com as pesquisas, as pessoas que convivem com animais têm uma resposta melhor ao estresse, apesar de serem submetidas aos mesmos fatores estressantes que as pessoas sem bichos de estimação. Os animais também estimulam seus donos a fazer atividades físicas e diminuem o sentimento de solidão. Viúva há oito anos, dona Margaridinha teve muita ajuda da bassê Cherry para superar a morte do marido. Reanimada, ela até posou para um calendário. “Com a perda do meu companheiro, aprendi a substituir com a Cherry o carinho que eu tinha por ele”, conta dona Margaridinha.
Os benefícios do convívio com um cachorro são tantos que existe uma ONG em São Paulo especializada em treinar cães para ficar com idosos. “Quando aparece um animal, o idoso se sente renovado, com poderes e autonomia sobre outro ser”, anlisa a psicóloga Kátia Aiello, da ONG Cão do Idoso.
A adestradora Carla Venturelli acrescenta que os idosos que têm animais procuram estar bem física e mentalmente para poder cuidar dos bichos. E tem mais: a pesquisa indica que ficar 12 minutos na companhia de um cão diminui a ansiedade e a pressão, o que é ideal para quem está se recuperando de uma cirurgia cardíaca. Tal foi o caso do aposentado José Roberto Faria Lima, que colocou duas pontes de safena há cinco anos. “Meus dois cães malteses tiveram um papel muito importante na minha recuperação”, recorda Faria Lima. “Eu tinha que fazer uns exercícios e eles me acompanhavam nas caminhadas pelo bairro, isso sem falar no carinho. Graças a eles, a minha recuperação foi menos traumática.”

Funeral em Barcelona

Funeral em Barcelona

  No dia 10 de novembro uma banda de jazz de New Orleans conduziu uma procissão fúnebre até o Parlamento Catalão,  em memória das dezenas de touros mortos em Barcelona a cada verão.

  Em frente ao Parlamento, representantes da WSPA (Sociedade Mundial de Proteção Animal) e sua afiliada local ADDA, apresentaram caixões com quase 100.000 assinaturas que foram adicionadas às 453.000  entregues anteriormente, vindas de muitos países – entre eles o Brasil.

  O objetivo é exigir que o Parlamento aprove uma emenda à Lei de Proteção Animal da Catalunha (22/2003), que seja contra as touradas – emenda proposta em abril de 2005, após a Câmara Municipal de Barcelona tê-la declarado como anti-taurina. 

  A cada ano, mais de 100 touros são mortos na arena “La Monumental”. Enquete patrocinada pela WSPA, mostra que 81% do povo catalão acredita que as touradas seja eventos cruéis e injustificáveis.

  Mais informações e assinar petição, acesse: www.antibullfight.org